Construindo um dialogo nacional para acordar de fato o gigante adormecido
Vigora, no Brasil, a prática de se utilizar frases prontas a fim de atingir efeitos de propaganda ou delimitar posiçoes políticas.
Uma das mais conhecidas – parodiada do Hino Nacional – dá conta de que o país é um “gigante adormecido” prestes, a data vem sempre sendo adiada, a protagonizar grandes gestos e projeçoes internacionais.
Aos pouco afeitos a essas profecias fica a angustia de se perceber a passagem de décadas e mais décadas, permanecendo o “gigante” ora cochilando, ora em sono profundos, entrecortados por espasmos de apinéia.
Para as mentes mais atentas e, de fato, compromissados com os rumos da naçao, está claro que para o despertamento é imperativo um grande diálogo nacional, a partir de princípios consensuais em detrimento de interesses corporativos e paroquiais.
Consoante com essa concepçao, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, da Presidencia da República, elaborou uma agenda de desenvolvimento que propoe dialogar junto aos poderes do executivo, judiciário,legislativo e sociedade como um todo, o tripé que engloba, crescimento econômico, reforma política e diminuiçao da desigualdade social.
Inicialmente nao podemos esquecer que há quatro anos, o Brasil estava na “UTI”, uma vez que o risco país era de 2,4 mil pontos, a inflaçao atingia o índice de 12,5% mensais e a dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) passava de 14,7 bilhoes de dólares.
A conduçao do governo federal, propiciou nao só o controle da inflaçao, como fez subir de 1,94% para 3,77% o crescimento industrial.
Além disso, pudemos comemorar o salto no volume de exportaçoes que recentemente superou 118 bilhoes de dólares.
O paciente, é bem verdade, amargou muito tempo no tratamento intensivo.
O antigo paciente, dito Brasil, requer daqui a diante um receituário que passa por iniciativas arrojadas e inovadoras a par de visoes realistas e tecnicamente viáveis precisamos intensificar a aguardada reforma política, considerada a mae de todas as reformas, para podermos rever e potencializar a nossa democracia representativa Nao se trata de reduzir-se o destino de um território das proporçoes e complexidade do brasileiro a medidas paliativas.
Nesse ponto, faço minhas as palavras do ex-senador Abdias do Nascimento, ex-senador da República e destacado militante das artes e da luta anti-racismo O sábio Abdias cunhou a máxima de que é impossível fazer um omelete sem antes quebrar, os ovos necessários.
Em outras palavras, inexoravelmente, o país terá que enfrentar desafios como o de mudar as regras partidárias em vigor, da mesma forma que as propostas sobre financiamento público de campanha e questionar a contestada imunidade parlamentar e o processo orçamentário – nesse caso, anseia-se por exemplo, por um percentual definido por um fórum da sociedade civil.
Todas essas prováveis medidas poderao ampliar a participaçao de setores da sociedade em sua representaçao no Poder Legislativo.
Historicamente, no Brasil, tivemos uma dificuldade de reconhecer no abismo social um desafio a ser encarado e superado prioritariamente enquanto questao de Estado.
Ousou-se, mesmo, a formular uma concepçao de democracia racial a brasileira e a compreender a pobreza desassociada dos desajustes regionais como menosprezar o valor do acesso a educaçao.
A década de 90 capitaneada pelos avanços dos movimentos sociais, sobretudo o do Movimento Social Negro, revelou dados impressionantes por meio de pesquisas que desnudaram as mazelas nacionais.
Essas iniciativas se traduziram em políticas públicas e na implantaçao de organismos como a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Secretaria Especial de Políticas Pela Igualdade Racial (SEPPIR), o Programa Bolsa Família e o Próuni, para ficar em alguns exemplos.
Essas medidas sao apenas o inicio da enorme mudança que precisamos fazer.
Ela, no entanto, requer a coragem de enfrentarmos os problemas sociais frontalmente.
Combater a informalidade, diminuir os encargos tributários, gerar renda via emprendedorismo familiar.
Uma agenda desse porte credenciará o país a uma atmosfera de crescimento e consumo.
O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidencia da República está no centro desse esforço.
Organizando uma agenda Nacional de desenvolvimento para tornar a economia nacional forte e dinâmica para ampliar a participaçao de vários setores na economia nacional.
Para isso é necessário melhorar a infra-estrutura logística, construir uma estrutura tributaria simplificada onde os tributos devem estar agregados de forma progressiva, sendo um agente estimulador de produçao e do emprego, diminuir os desequilíbrios regionais e melhora a capacidade operativa do estado brasileiro.
Dinamizar a sociedade brasileira para uma política igualitária sem disparidades de genero e raça através da distribuiçao da renda das riquezas nacionais, diminuindo a concentraçao de renda.
Acreditamos que um novo Brasil deva surgir onde o gigante adormecido acorde de vez para todos os brasileiros.
JOAO BOSCO DE O BORBA
Presidente da Associaçao Nacional de Empresários Afro-Brasileiro (ANCEABRA)
Membro titular do Conselho de desenvolvimento Econômico e social (CDES)
Membro titular do Conselho de Promoçao de Políticas Pela Igualdade Racial (Conapir)
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